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Jaime Verruck reposiciona fronteira como eixo de desenvolvimento

Secretário leva à agenda empresarial uma visão em que a faixa de fronteira deixa de ser apenas ponto de passagem e passa a ocupar lugar estratégico na economia regional

25/03/2026 às 20:02
Por: editor

A participação do secretário Jaime Verruck em agenda empresarial realizada em Pedro Juan Caballero marcou a defesa de uma nova leitura sobre a fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai: a de que a região deve ser tratada como plataforma de desenvolvimento regional, e não apenas como zona de circulação, comércio ou disputa econômica.

 

O encontro ocorreu nesta terça e quarta-feira (24 e 25/3), na unidade fabril da SR - Saldanha Rodrigues, no Paraguai, e reuniu empresários brasileiros ligados à ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), representantes de entidades industriais e autoridades públicas. A programação incluiu troca de conhecimentos, apresentação de oportunidades de abertura de unidade em Pedro Juan Caballero e debate sobre possibilidades de instalação de empreendimentos em Mato Grosso do Sul.

 

Nova dinâmica econômica

 

Ao longo da agenda, Jaime Verruck procurou situar a fronteira dentro de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento econômico. Na avaliação do secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a região passou a reunir condições para ser compreendida como espaço de articulação entre indústria, logística, serviços, poder público e comércio exterior.

 

Essa leitura aparece com força quando o secretário defende a superação de uma visão antiga sobre o Paraguai. Segundo ele, Mato Grosso do Sul deixou de tratar a industrialização paraguaia sob a lógica do receio e passou a formular políticas voltadas ao aproveitamento conjunto das oportunidades abertas pela integração. “Começamos a discutir uma política pública em que poderíamos beneficiar ambos os lados. Hoje, ela já não tem mais esse posicionamento; não é mais o receio”, afirmou Jaime Verruck.

 

A fala sintetiza uma mudança que tem implicações diretas para o futuro da faixa de fronteira. Na visão do secretário, a competitividade paraguaia, o ambiente de negócios regional e a possibilidade de integração entre produção, logística e serviços criam uma nova dinâmica econômica para cidades como Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.

 

Ao defender esse reposicionamento, Jaime Verruck assumiu papel central na condução da mensagem política e econômica apresentada durante o evento. Sua presença foi além do protocolo e reforçou o entendimento de que Mato Grosso do Sul quer se inserir de forma planejada nessa nova fase da fronteira.

 

Um dos elementos que sustentam essa estratégia, segundo o secretário, é a organização institucional. Ao abordar a importância da gestão pública para o desenvolvimento, Jaime Verruck destacou que políticas de integração só avançam de forma consistente quando há estrutura, coordenação e capacidade de execução. “Questão de funcionar ou não depende da estrutura. E funciona, funciona muito bem”, disse.

 

A declaração se conecta à ideia de que a nova centralidade da fronteira exige mais do que interesse empresarial. Exige também um setor público preparado para coordenar áreas estratégicas e apoiar uma agenda que envolve produção, comércio exterior, infraestrutura e inovação.

 

“Cabeceira única”

 

Nesse processo, um dos desafios mais relevantes apontados por Jaime Verruck é o aduaneiro. Ele defendeu medidas para tornar o desembaraço de cargas mais eficiente e afirmou que a integração entre os dois países precisará avançar também no plano operacional.

 

A discussão sobre a “cabeceira única” entra nesse contexto como proposta voltada à redução da burocracia, ao ganho de agilidade e à diminuição de custos logísticos para quem produz e comercializa na região.

 

Ao tratar desse tema, o secretário reforçou que a consolidação da fronteira como plataforma de desenvolvimento não depende apenas de discurso favorável ou da proximidade geográfica entre Brasil e Paraguai. Depende da solução de gargalos concretos relacionados à infraestrutura, alfândega e circulação de mercadorias.

 

A participação do superintendente de Administração Tributária da Sefaz-MS, Bruno Gouvea Bastos, e do prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos, também reforçou o caráter institucional da agenda e a articulação em torno de uma nova política para a fronteira.

 

A estratégia se fortalece num momento em que o Paraguai segue despertando interesse empresarial por seu ambiente industrial, enquanto Ponta Porã passa a ser vista como base estratégica para serviços, qualificação, inovação e organização logística.

 

Nesse novo arranjo, a fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero deixa de ser apenas um ponto de passagem e passa a ocupar posição central na formulação econômica regional.

 

Jaime Verruck procurou demonstrar que a integração entre Brasil e Paraguai pode gerar ganhos concretos quando tratada com planejamento conjunto, coordenação institucional e visão de longo prazo. Mais do que participar de uma agenda empresarial, o secretário usou o encontro para defender a fronteira como eixo estruturante de crescimento compartilhado.

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